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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Você sabia?


Talvez pouca gente saiba que eu durmo apenas com uma meia no pé.
Uma só. Tipo, só em um dos pés.
Eu coloco meu pijama, pego uma meia e coloco em um pé só.
O que rende a piada do Saci, lá em casa.
E que as meias não são meias soquete, curtas.
Eu só uso meiões, tipo de futebol, e coloridos, acho que se eu tiver um par de meias brancas é muito.
Só uso meias coloridas.
Talvez pouca gente saiba que eu só durmo de pijamas.
Não consigo dormir sem pijamas. Tipo de moletom, camiseta de eleição, qualquer coisa assim.
É óbvio que se eu não estiver na minha casa e acabar tendo que dormir fora, eu coloco uma camiseta e uma meia no pé, mas no geral, em casa, ou mesmo se eu tiver me programado, eu durmo de pijamas.
Camisolas, qualquer coisa. Mas pijamas.
Tudo combinandinho.
Sempre.
Talvez pouca gente saiba que eu sou a maníaca do leite, eu tomo muito leite. Adoro leite.
Que eu gosto de canecas. Não de copos.
e mamadeiras, lógico, mas isso todo mundo sabe.
Gatinho muito acha bizarro, mas tudo bem, é bizarro mesmo.
Talvez pouca gente saiba que eu uso dois cotonetes ao mesmo tempo, e limpo meus ouvidos todos os dias com os dois cotonetes! Ao mesmo tempo, tipo sincronizados.
Rá.
Talvez pouca gente saiba que eu adoro comida japonesa, mas não há ninguém que consiga me fazer comer sem hashis com elástico.
Eu só sei comer comida japonesa com hashis com elástico, ou com aquela paradinha moderna, de plástico.
E é assim e pronto.
Talvez pouca gente saiba que eu perdi minha prima, pequenininha, que eles eram trigêmeos e que a morte da Marcella foi como uma facada no meio do meu coração, e que eu quase todos os dias penso nela. E que eu ouço a música " Aquarela" do Toquinho e eu me lembro dela, porque eu era adulta e casada quando ela faleceu, mas quando nos encontrávamos a gente desenhava muito juntas! E pouco antes de descobrirem a leucemia na Marcella, quando ela só tinha 3 anos, estávamos na nossa casa de praia, e eu estava com ela no quarto, nós duas deitadas na cama, final de tarde, brincando de contar histórias e ela estava contando quem dormiu fui eu. E ela ficou fazendo carinho nos meus cabelos, e todo mundo sabe o quanto eu amo cafuné nos cabelos, e eu acordei, abri os olhos, e ela disse:
---- Vc é muito especial Bru!
E pareceu inacreditpavel vindo de um bebê de 3 anos.
E eu não sei por quê, mas eu chorei. E senti nela uma maturidade muito grande, uma densidade emocional. E me lembro de achar estranho, mas mesmo assim, eu nunca comentei isso com ninguém.
E eu sinto uma saudade gigantesca de você, miss Brasil!
Talvez pouca gente saiba que eu sofri e muito no meu divórcio.
Sofri na tomada de decisão, sofri no processo, sofri depois, sofri muito muito muito depois.
Sofri quando assinei, sofri quando sai de casa, sofri quando via o Victor sofrendo, sofri quando fui julgada, sofri por ter tido a coragem, sofri por uma história que acabou, sofri porque a gente nunca quer que as histórias acabem, mas elas acabam, sofri porque eu me culpava, porque eu tinha decidido, porque eu achava que a culpa era minha, e sofri, sofri, sofri.
E quando fomos assinar o divórcio no cartório, era o mês de dezembro, e eu chorei muito no cartório, chorei muito, a ponto do advogado perguntar se eu não queria desistir.
E mesmo chorando, eu não quis.
Mas eu sofri.
Talvez pouca gente saiba que eu tenho loucura na minha irmã.
Tá, isso todo mundo deve saber. Quem me conhece, ao menos.
Talvez pouca gente saiba que mesmo escrevendo, escrevendo, escrevendo, e me expondo, me expondo, me expondo, eu ainda assim guardo segredos.
Poucos, mas guardo.
Talvez pouca gente saiba que eu tenho absoluta obsessão por crianças com Down, e que por ter afinidades com elas e ter, por conta do hipismo, um contato muito particular com elas em equoterapia, eu  sempre afirmei, assim como afirmo, que se fosse pra Deus mandar uma criança com Down para alguém que fosse rejeitá-la, que mandasse pra mim.
Pode soar loucura,  e talvez até seja, mas eu sempre digo isso.
Talvez pouca gente saiba que eu sou feliz não pela falta de problemas, de angústias, de dor, de frustrações, de perdas, comum à todas as pessoas do mundo.
Eu sou feliz porque eu busco coisas boas na minha vida, eu busco coisas boas nos outros, eu busco leveza onde há peso, eu busco flores em meio ao cimento, eu busco sorrir ao ver uma pessoa estranha que cruza o farol na minha frente mas que me causou empatia, eu busco ouvir músicas quando o silêncio se faz pesado, eu busco sorvete quando meu coração parece derreter de tristeza, eu busco uma felicidade mesmo que parcial em meio ao caos, sempre. Eu busco uma palavra de amor, cumplicidade e amizade quando alguém me faz mal.
Eu busco pequenas felicidades, e que juntando essas pequenas felicidades, quando eu vejo, eu tô inteira de novo, tô sorrindo, tô agradecendo.
Posso estar abaixo da meta e ser cobrada, posso estar num trãnsito dos infernos, posso não ter um homem que me ame tirando Reynaldo mas ainda assim, eu procuro lembrar que eu tô no trânsito sim, mas dentro do carro, e que graças a Deus temos ar condicionado, e que a meta está baixa, mas eu só estou abaixo da meta porque né? eu tenho emprego, olha que bom, e um homem que me ame. Bom, procuro pensar que muitos me amaram, e que vai aparecer outro maluco sabe?
estão pegando o espírito da coisa?
Essa sou eu.
E por isso eu posto fotos sorrindo.
Minha vida e meu sorriso não são de mentira, e não são melhores dos que os de ninguém. Eu só tento sempre ter outro olhar sobre as coisas.
E é claro que eu choro.
Choro horrores. Sou a pessoa que mais chora no mundo inteiro.
Mas depois eu sorrio, porque eu me olho no espelho e penso que minha cara é muito engraçada quando eu choro e daí eu gargalho.
Temos um caso de bipolaridade, dr Marcos?
Acho que não.
Eu sou uma otimista.
brinco aqui no banco que se eu estou sorrindo em meio aos problemas é porque já encontrei em quem colocar a culpa e não por quê não compreendo a gravidade da situação.
Rá.
É lógico que isso é brincadeira, porque taí um defeito dentre os muitos que tenho, que não faz parte do meu caráter.
Eu asumo o que eu faço.
Sempre.
--- Bruna foi você que soltou um porco no pátio do colégio?
--- Fui.
Eu sou assim.
Pro bem e pro mal. Eu banco o que faço.
Mesmo as merdas.
E desculpem o termo, mas  eu " não meto na bunda de ninguém" e cá pra nós, também não deixo ninguém botar na minha.
Cada um que assuma suas culpas.
E procure um jeito de resolvê-las.
Talvez pouca gente saiba, mas, embora eu tenha uma personalidade bem forte e marcante, se vc pedir com jeitinho e não impuser, eu faço qualquer coisa por você.
Desde que não seja previsto como crime, ou contra minhas crenças, pode apostar, eu faço.
E esse foi um dos motivos do meu casamento ter chegado ao fim.
Victor impunha. É muito da minha personalidade ir contra imposições.
Se tivesse  "pedido", " sugerido", " orientado", qualquer merda que fosse, teríamos evitado mil problemas.
Não mete essa do:
 --- Faça isso senão...
Senão o que?
Pronto, já preferi o "se"!!
Não tô certa. Tenho aprendido a ser mais tolerante, menos rebelde e tal, mas é uma coisa que me enlouquece um pouco.
Relacionamento é partida de frescobol, é parceria, se você mandar a bolinha na casa do cacete não tem jogo, vc tem que jogar pro outro pegar, não é contra o outro. Não é jogo de futebol. Não é war, conquista de território.
Joga a bolinha na manha, no ritmo do outro.
Parceria.
Talvez pouca gente saiba, mas quando eu tirei carta de motorista, eu grudei nos vidros do carro um papel onde se lia: Sou nova de carta, vc já passou por isso, tenha paciência. Grata, sem mais."
Juro.
Era meio ridículo, mas eu aprendi a guiar assim.
E ninguém me atormentava. Foi ótimo.
Talvez pouca gente saiba, mas entre segredos desvendados e mantidos, guardados no coração porque não entrego todo meu ouro sempre, eu vou tentando levar a vida de uma maneira mais feliz, mais madura, mais serena e com muito, muito mais confiança de que isso tudo que falam de mim, as coisas boas, obviamente, são verdades e que eu preciso acreditar nisso, que eu tenho aprendido a acreditar nisso e que eu sou muito grata, muito mesmo, a todas as pessoas que ficam ao meu lado e fazem da minha trajetória e do mundo um lugar muito melhor para se viver!
Grata.
Sem mais segredos.












14 comentários:

Terapia Coletiva disse...

Ser leve e rir dos próprios problemas, admiro muito isso nas pessoas. Parabéns pela coragem de abrir a alma e partilhar. Seus posts me fazem pensar. Delícia de leitura, Bru.

Unknown disse...

Que post lindo!
Vc escreve mto bem!
Cheguei aqui no seu blog por acaso há um tempinho já... Li alguns posts e na época fiquei superrrr curiosa para saber no que ia dar "Pinguim" hahaha Desde então não saiu mais dos meus favoritos!
Beijos,
Duda

Su Noschang disse...

Amei o post. É bom saber um pouco do que as pessoas guardam em seus corações. Aproxima.
Bjus.

Eduardo - TR3S MEIOS disse...

Sou fã dessa menina. Menina sim, pra mim vai ser sempre menina. Tem um coração de ouro, já a vi dar atenção a uma senhorinha durante um longo tempo do almoço e no final abrir um choro tremendo ao saber que esta senhora estaria sozinha em casa em pouco tempo, sem ninguém para lhe fazer companhia... Esta é a Bruna, e é por isso que eu a amo de paixão.
Beijo pra você maluca!!

Essa é mais uma história de amor disse...

Acho q já trabalhamos juntas... acho... quer dizer, trabalhamos na mesma época no mesmo lugar! hahahahaa... Acho q tá na hora de fazermos um HH não? rs... Bjusss

Karolina disse...

Lindo! Chorei e ri.
Aquarela me faz chorar horrores. aff.

Mariana disse...

Aiii já contei que eu AMO quando você fala do Vitor? Sério, independente dos motivos do divorcio acho que ele era um maridão! hahaha gosto mais de Vitor do que do Pinguim(eu torcia pra ele e tal e fiquei cheia de amor qnd ele mandou um presente) RÁ! hahaha
Mas mudando de assunto, qual o pé que fica a meia o direito ou o esquerdo, BRu?!

Andréa disse...

Que texto lindo Bru,sincero,maduro.
Vc é gente de verdade,eu te amo.
Quanto ao divórcio,eu choro só em imaginar como será,eu ainda fico muito mexida com esse assunto,mesmo sabendo que ele já ama outra.
Tô saindo daqui suspirando,com uma sensação de que eu sou uma mulher de muita sorte,pois eu já pude te ver de perto e te dar um beijo de verdade.
Obrigada Meu Deus.
Um beijo.

Fá Quintal [♥] disse...

que post lindo!só tenho isso a dizer, lindo como a pessoa que vc é!!! Parabéns mesmo! Se no mundo tívessemos mais Brunas....

Super beijo!

Débora Rodrigues disse...

Amei ler esse post. Mostra o quanto você ta feliz e linda! To gostando de ver!
Lembrei de quando conheci o blog.. Acho que foi na época da separação,saí lendo todos os posts até o primeiro.Parece que te conheço há um tempão hehe ♥

Déia disse...

Caramba, chorei muito pela primeira vez no seu blog...de soluçar na parte da sua priminha. Que dor no coração!
bj

Monica Louize disse...

Amorinha,
Todo mundo sabe que vc é linda, amada e uma pessoa extremamente especial na vida de quem tem o privilégio de conviver com vc!
Amo, e não fala besteira!
Beijosssss

Sabrina disse...

Muito bom! Que coragem de escrever estes segredos aqui, compartilhar. Sou sua fa. Vc encoraja muitas pessoas a levar a vida mais feliz sabia.
Há eu sou viciada em cotonetes, mas uso o cada lado em uma orelha, nao dois ao mesmo tempo rs.
Adorei a parte do relacionamento, temos que jogar para o outro pegar, na manha. Ajudando o outro. Certíssima.
Alias, adorei todas partes!
Bjs linda!

Nanda disse...

Caralhooooooo, só li isso hoje e tô passando mal de saber q você dorme com uma meia só.E mesmo sem te conhecer, imagino você de pijama e uma meia só. kkkkkkkkkkkkk. Na boa,acordei a minha mãe com a gargalhada que dei quando li.
Você sempre me faz chorar por aqui, às vezes de tanto rir, outras de tristeza mesmo, de identificar com as coisas q você escreve e sentir a mesma dor.